CONHECIMENTO: A AVENTURA HUMANA
A maçã caiu.
Não mudou a natureza.
Mudou o olhar humano.
Desde que o ser humano ergueu os olhos para o céu e as estrelas, e voltou o olhar para os mares, os rios, as montanhas e as árvores, a aventura do conhecimento sempre começou da mesma forma: alguém se recusou a aceitar o mundo apenas como ele parecia ser.
Há uma única ideia que une ciência e poesia: aprender a ler a natureza.
Milhões de pessoas viram maçãs caírem. Newton fez uma pergunta e descobriu a gravidade. Milhões de pessoas observavam a matéria. Einstein fez outra pergunta e revelou que, dentro dela, existia uma energia invisível aos olhos. A natureza permaneceu a mesma. O que mudou foi a nossa maneira de compreendê-la.
Foi assim que a humanidade avançou. Não porque passou a dominar a natureza, mas porque aprendeu, pouco a pouco, a compreendê-la. Cada descoberta ampliou nossa capacidade de transformar conhecimento em qualidade de vida.
É por isso que ciência e poesia caminham tão próximas. Ambas nascem do mesmo sentimento: o desejo de compreender. Revelam, cada uma à sua maneira, aquilo que a natureza sempre soube e que nós aprendemos a ler.
Mas a nossa geração enfrenta um desafio diferente. Pela primeira vez na história, o conhecimento deixou de ser escasso. Hoje, o conhecimento nunca esteve tão disponível. O verdadeiro desafio deixou de ser encontrá-lo. Passou a ser compreendê-lo.
Isso nos obriga a fazer uma nova pergunta: o profissional do futuro estará preparado apenas para acumular conhecimento ou para compreendê-lo, questioná-lo e transformá-lo em soluções?
A grande questão do nosso tempo não é quanto conhecimento conseguimos reunir, mas quanto ainda somos capazes de compreender. A inteligência artificial responde em segundos e ampliará nossas capacidades, mas continuará dependendo da inteligência humana para definir os caminhos, os propósitos e, sobretudo, para formular as perguntas que ainda não foram feitas. As máquinas responderão a milhões de perguntas.
E, se continuarmos ampliando os limites do conhecimento, a próxima grande pergunta será esta: abandonaremos um dia o planeta Terra?
O futuro continuará pertencendo às pessoas capazes de formular perguntas que ainda ninguém imaginou.

Eng. Civil José Ribeiro de Miranda
Presidente da ABRAEI – Associação Brasileira dos Engenheiros Independentes
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