Engenharia da Confusão

Tem fumaça saindo dos corredores da engenharia brasileira. E não é de nenhuma obra superfaturada nem de um projeto mal calculado. O calor vem dos bastidores da disputa pelo poder dentro do Sistema Confea/Crea, que entrou em modo panela de pressão.

Nos grupos de WhatsApp, nos cafés institucionais e nos corredores climatizados de Brasília, o assunto é um só: até onde vai a influência política de quem deveria estar apenas cuidando das pautas técnicas da categoria?

A movimentação de lideranças do sistema ao lado de parlamentares e figuras da política nacional acendeu um alerta entre profissionais que defendem eleições limpas e independentes. Afinal, quando engenharia e política começam a dividir o mesmo elevador, sempre aparece alguém querendo apertar o botão do andar mais alto.

Os mais atentos observam que o momento é delicado. Em pleno período pré-eleitoral, qualquer sinal de uso político das estruturas institucionais vira combustível para questionamentos, denúncias e, claro, muita fofoca corporativa. E convenhamos: em Brasília, fofoca é praticamente um patrimônio imaterial.

Enquanto isso, candidatos e grupos articulam apoios, contam votos e fazem contas mais complicadas do que cálculo estrutural. Uns juram que está tudo dentro da legalidade. Outros garantem que há um festival de coincidências difícil de engolir.

Nos bastidores, uma frase tem circulado com força:

“Quando a engenharia entra na política, o concreto pode até endurecer, mas as relações ficam bem flexíveis.”

E assim segue a novela. Com direito a protagonistas, figurantes, aliados de ocasião e adversários históricos dividindo o mesmo palco.

Porque, no fim das contas, a disputa não é apenas por cargos.

É por influência.

E influência, meus caros, vale mais que qualquer ART.

*Da Redação

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