Tudo a seu tempo
Início de ano e aquela ressaca das festas parece tomar conta de nós como se
fôssemos apenas um joguete em mãos que não são as nossas. Existem
fadigas boas e outras ruins como consequências de nossas ações e de
decisões que tomamos ou que nos tangem, ainda que apartadas de nossa
vontade.
E não se trata tão somente da indisposição incômoda pelos excessos de
bebida ou de comida. É também a sensação do fim de alguns momentos bons,
em que temos a companhia de pessoas que amamos e com quem
compartilhamos ocasiões festivas, com abraços e reencontros. Inestimáveis
tempos de bem-querer. Então chega o instante de retomar a rotina, de cumprir
horários, de controlar o peso, administrar as inevitáveis contas do dia a dia.
Qual de nós, tendo o controle pleno do próprio intelecto, seria capaz de passar
ileso pelas dores de tão longo período, com alegrias, perdas, sucessos e
fracassos?
Faltam ainda alguns meses para o próximo Natal, a próxima Virada. Durante
esse período, estaremos expostos a tantas notícias, demandas e
preocupações que, quanto mais nos aproximarmos da data, provavelmente
mais nos sentiremos exauridos pela labuta contínua. E o ano, que promete
muita agitação, já começa com a queda e prisão de um ditador sul-americano;
mais a promessa de outra Copa do Mundo de Futebol e, também, a
perspectiva de eleições bastante acirradas no Brasil. Há uma quase certeza no
ar: temos um ano definitivamente atribulado.
Nesse burburinho da vida moderna em que se começa a temer a substituição
do humano pela máquina de alta tecnologia, resta a certeza de que os amigos
e a família precisam ser preservados. E que importa reservar algum tempo
para nos cuidar, para dar atenção devida às pessoas queridas, para aprender,
pelo menos o suficiente para não nos tornarmos obsoletos. Para cultivar o
amor que nos vai sustentar nos embates mais acirrados.
Para as PcD, sabidamente, os desafios são um pouco mais complexos. Nossos
moinhos de vento são mais altos e suas pás são mais longas e robustas. Mas,
para quem aprendeu a superar tão diversas barreiras, gigantes ou profundas,
mais um ano na batalha, ainda que difícil, valerá o resultado de sucesso.
Passado o Dia de Reis, a estrada se apresenta inteira e cheia de
oportunidades para uma nova possibilidade de concretizar projetos, construir a
nós mesmos, fazer da vida um lugar de se estar feliz.
Eis, para cada um que chegou até aqui, o ensejo de tomar as rédeas de sua
trajetória, consciente de que haverá tentações, feridas e dificuldades. Porém,
ao compartilhar sucessos, aprender com os erros, valorizar a companhia de
amigos, o caminho se iluminará, a luz do fim do túnel será suficiente para
iluminar todo o trajeto.
Tudo o que se planeja com dignidade e se executa com determinação e foco,
tende a produzir resultados felizes. É hora de revitalizar a disposição, assumir o
protagonismo de sua existência e trabalhar com afinco e boa vontade. O tempo
de vitórias e de fartas colheitas chegou.

Mário Sérgio Rodrigues Ananias é Escritor, Palestrante, Gestor Público e ativista da causa PcD. Autor do livro Sobre Viver com Pólio.
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