A Cultura Come O ESG No Café da Manhã
Por Mariana Borges
A empresa decidiu implementar ESG. Criou um comitê ESG. Nomeou responsáveis. Investiu em treinamento. Publicou políticas. Estruturou indicadores.
Três meses depois, nada mudou.
As pessoas seguem fazendo as coisas do mesmo jeito. O comitê se reúne, mas as decisões não saem do papel. As políticas existem, mas ninguém segue. Os treinamentos aconteceram, mas o comportamento não mudou.
E aí a empresa conclui: ESG não funciona.
Mas não foi o ESG que não funcionou. Faltou cultura.
O problema da implementação por decreto
Muitas empresas tentam implementar ESG como se fosse um novo sistema de tecnológico. Você instala, treina as pessoas, e pronto. Funciona.
Mas ESG não é um sistema. É um jeito de trabalhar. São as decisões que acontecem todos os dias, em todas as áreas, com ou sem supervisão.
Quando você implementa ESG por decreto, você cria compliance. As pessoas fazem porque precisam. Porque alguém está cobrando. Porque tem auditoria. Mas no momento em que a cobrança acaba, o comportamento volta ao que era antes.
Isso não é cultura. É obediência temporária.
Como a cultura realmente acontece
Cultura não é o que está escrito no mural da empresa. Cultura é o que as pessoas fazem quando ninguém está olhando.
E cultura não acontece por treinamento. Acontece por hábito e todo hábito se constrói com repetição, relevância e exemplo.
Repetição: ESG precisa estar presente no dia a dia, não apenas na reunião mensal do comitê. Precisa estar na forma como você avalia um fornecedor. Na forma como você conduz uma reunião. Na forma como você toma uma decisão. Se ESG aparece uma vez por mês, é um evento. Se aparece todos os dias, é cultura.
Relevância: As pessoas precisam entender por que ESG importa para elas. Não para a empresa. Para elas. O que muda no dia a dia delas? O que ganham? O que perdem se não fizerem? Quando ESG é apresentado como mais uma tarefa que ninguém pediu, vira peso. Quando é apresentado como algo que protege e valoriza o trabalho de cada um, vira prioridade.
Exemplo: A liderança precisa viver o ESG. Não falar sobre ESG. Viver. Se a diretoria diz que diversidade é importante, mas não contrata. Se diz que ética é fundamental, mas fecha os olhos para um fornecedor problemático. Se diz que transparência é prioridade, mas esconde informações. A mensagem que chega é clara: ESG é discurso. E as pessoas seguem o exemplo, não o discurso.
O sinal que a empresa está no caminho certo
Como você sabe se ESG está virando cultura? Existe um sinal simples.
As pessoas começam a trazer o assunto. Sem ter sido pedidas. Sem ter sido cobradas.
O profissional de compras sugere avaliar um fornecedor por critérios ESG antes de ser solicitado. O gerente propõe uma prática mais sustentável porque viu um risco. A equipe questiona uma decisão porque ela não está alinhada com os valores da empresa.
Quando isso começa a acontecer, ESG deixou de ser um projeto e virou parte de como a empresa pensa.
E isso não acontece da noite para o dia. Leva tempo. Mas acelera quando você foca nas três coisas certas: repetição, relevância e exemplo.
O que isso significa para você
Se você está tentando implementar ESG na sua empresa e sente que as pessoas não estão engajadas, talvez o problema não seja elas. Talvez o problema seja a abordagem.
Em vez de focar em políticas e procedimentos, foque em hábitos. Em vez de treinar pessoas para cumprir regras, ajude-as a entender por que isso importa para o trabalho delas. E em vez de esperar que a diretoria cobre, comece dando o exemplo na sua área.
Porque a cultura não muda por decreto, se constrói um pouquinho a cada dia.

Artigo escrito por Mariana Borges, fundadora da Move’n Up inteligência em Gestão Sustentável
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