Santa rede de apoio (e seus super-heróis sem capa)
Existe um mito moderno que diz que mãe dá conta de tudo. Dá conta da carreira, da casa, da reunião, da mochila esquecida, da fantasia da festa da escola, do aniversário do sobrinho, da vacina, do boletim, da febre às duas da manhã e, se sobrar um tempinho, ainda faz skincare.
Mentira.
A mãe dá conta porque, na maioria das vezes, existe alguém segurando uma ponta da corda.
A verdadeira rede de apoio não aparece em fotos de família. Ela aparece às seis da manhã, quando a avó já está de pé esperando o neto chegar porque a mãe precisa bater o ponto. Surge na mensagem da madrinha: “Pode deixar ela passar a semana lá em casa”. Está na amiga que aparece com uma panela de comida justamente no dia em que tudo resolveu dar errado.
E, sim, também merece aplausos aquele pai que, mesmo depois da separação, entende que deixou de ser marido, mas nunca deixou de ser pai. Que busca, leva, acompanha tarefa, fica quando a criança adoece, troca o fim de semana de bom grado e entende que criar um filho não é um favor prestado à mãe, mas um compromisso com o próprio filho.
No fim das contas, criança não faz questão de saber quem assinou a planilha da logística familiar. Ela só percebe que foi acolhida.
As avós, então, mereciam ganhar um ministério. São especialistas em encontrar o tênis perdido, descobrir onde foi parar a garrafinha, convencer a criança a comer feijão e, de quebra, ainda mandar um “leva um bolinho para o lanche de amanhã”. Muitas já criaram seus próprios filhos e, quando imaginavam que finalmente descansariam, recebem uma nova promoção: Diretora Executiva dos Netos.
As amigas entram para o time sem contrato, sem salário e sem carga horária definida. São aquelas que dividem caronas, emprestam uniforme, ficam com a criança por uma hora — que misteriosamente vira três — e ainda perguntam se está tudo bem.
No fundo, rede de apoio é isso: gente que entende que criar uma criança, – duas ou três – nunca foi um esporte individual. Sempre foi modalidade em equipe.
Talvez por isso as mães que trabalham consigam atravessar jornadas tão longas. Não porque sejam heroínas invencíveis, mas porque existe uma pequena multidão, quase sempre silenciosa, fazendo o impossível caber na rotina.
Então, da próxima vez que você encontrar uma mãe equilibrando agenda, mochila, celular, marmita e um filho que resolveu contar uma história inteira na porta da escola, lembre-se: provavelmente existe uma avó torcendo, uma amiga socorrendo, uma madrinha disponível, um pai presente e muitas outras mãos invisíveis tornando aquele dia possível.
Porque, no fim das contas, a maior prova de amor talvez não seja fazer tudo sozinho.
É saber que ninguém deveria precisar fazer.

*Artigo escrito por Julyana Almeida
Jornalista, mãe de 3 crianças lindas e disposta a compartilhar as loucuras e gostosuras da maternidade.
Instagram: https://www.instagram.com/rabiscosdeumamae